Como fazer um editorial
FONTE: Ismar de Oliveira Soares
É necessário saber que um editorial tem caráter dissertativo. Ou seja: defende teses. Geralmente as teses são enunciadas na introdução, seguindo-se, no corpo da matéria, a concatenação dos fatos e argumentos que levarão o leitor, na conclusão, a endossar o pensamento do veículo.
1 – Justificativa do tema
2 – Apresentação da tese
3 – Corpo
4 – Conclusão
·
Houve em Granada um golpe militar com o assassinato
do ex-ministro. ·
Houve uma intervenção externa, por tropas dos EUA, com a participação de
países da região. ·
A interferência foi injustificável. A invasão é injustificável,
pois as razões alegadas por Reagan: ·
revelam-se retóricas e inconsistentes; ·
Fazem lembrar discurso de que se tem valido regimes
totalitários para justificar interesses hegemônicos e ações expansionistas.
Editorial da Folha de São Paulo
Teses
Argumentos
Conclusão
Editorial de “O Estadão
Teses
·
Houve em Granada
um golpe de inspiração soviética.
·
Os países do
Caricom julgaram incompatível a incorporação de Granada à influência cubano-soviética.
·
A interferência
foi justificável
Argumentos
·
Cabem a Caribean
Community os mesmos direitos da própria OEA que na Conferência de Punta Del Este declarou a incompatibilidade do sistema
interamericano com o comunismo
·
Como o comunismo
se expandiu na região por meio de ações bélicas, também deve ser sustado
pelas armas.
intocáveis.
Conclusão
·
A intervenção é
justificável, pois: se os EUA vacilarem em um lugar, tal fato afetaria suas ações em outros
lugares;
·
Moscou não pode
arrogar-se o direito de eliminar, em qualquer parte do mundo, dirigentes políticos só porque não gozam de
integral confiança.
É importante, ao analisarmos um editorial verificar, por exemplo, quais os fundamentos filosóficos, sociológicos ou políticos que sustentam as argumentações desse editorial? Bem como quais os conceitos (ou pré-conceitos) que os jornais querem passar aos leitores?
O gênero opinativo no jornalismo costuma ocupar pouco espaço. As matérias opinativas são, contudo, de fácil identificação, merecendo destaque em meio às notícias e reportagens.
O jornalismo brasileiro, até bem pouco tempo, vivia em função quase exclusivamente da defesa explicita de idéias e princípios. Podemos dizer que foi depois da 2a Guerra Mundial que nossos jornais conseguiram libertar-se da preocupação excessiva com a opinião de seus proprietários para apresentar como um serviço noticioso “neutro”, capaz de fornecer as informações necessárias para o funcionamento da sociedade.
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